Quando volto das ações, vejo que fui pra ser ajudado.
Pode parecer estranho, mas é exatamente o que acontece, porque a gente se depara com situações tão difíceis, com histórias de vida tão cruéis que passamos a enxergar a vida com outra perspectiva.
Foi assim, mais uma vez, na ação do último sábado, 31 de agosto. Era noite de distribuição da sopa que fazemos mensalmente e começaríamos a distribuição por um lugar na cidade que nunca visitamos antes nesse tipo de ação: a Av. Bezerra de Menezes.
Chegamos, todos muito acuados (rs. É engraçado a forma como ainda parecemos ter medo, mesmo depois de um ano de grupo. É compreensível porque tudo é novo pra nós). Pulei da Kombi e fui conversar com um rapaz de cabelo longo, com dreads. Contou sua história: como veio parar aqui em Fortaleza, os crimes que cometeu pela Bahia, a saudade dos 6 filhos.
Contou da tia e do irmão que moram aqui em Fortaleza, mas os quais não tem coragem de procurar.
Contou da tia e do irmão que moram aqui em Fortaleza, mas os quais não tem coragem de procurar.
Realidade forte e perversa a dele. Agradeceu pela nossa visita, pela sopa, o pão e as roupas.
Foi ainda na Bezerra que conheci o "Betão". Um morador de rua que tem casa. [Como assim?]
Isso mesmo. Ele tem casa.
Mas "não abandono o pessoal aqui não. São família". Toda noite está ao lado dos companheiros.
Da Avenida Bezerra de Menezes fomos para o Centro da Cidade, onde costumeiramente distribuímos a sopa. Reencontramos um rapaz que, da outra vez em que fomos, ficou com uma blusa muito apertada (Prefiro não citar o nome dele).
Fizemos alguns amigos, que contaram um pouco da sua história.
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| Alguns dos membros do Amigos Sol conversam com pessoas em situações de rua |
Bem, essa ação realmente mexeu comigo. Fiquei visivelmente emocionado, mas pra disfarçar passei parte da ação do outro lado da Kombi, enquanto o resto da galera distribuía a sopa. Não tem como ficar insensível às misérias humanas.
Por fim, fomos próximo ao Marina Park e dessa vez adentramos uma rua mais perigosa, onde geralmente alguns irmãos em situação de rua vão para se drogar. E assim os encontramos, mas ocorreu tudo bem.
A ação foi enriquecedora, como de costume.
Espero que possamos fazer muito mais por todos eles. Chegar até o coração. Ir além da sopa e do pão.
Por Jefferson Privino

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