quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ir além da sopa e do pão

Sempre que vou para alguma ação dos Amigos Solidários imagino que estou indo pra ajudar.
Quando volto das ações, vejo que fui pra ser ajudado
Pode parecer estranho, mas é exatamente o que acontece, porque a gente se depara com situações tão difíceis, com histórias de vida tão cruéis que passamos a enxergar a vida com outra perspectiva.

Foi assim, mais uma vez, na ação do último sábado, 31 de agosto. Era noite de distribuição da sopa que fazemos mensalmente e começaríamos a distribuição por um lugar na cidade que nunca visitamos antes nesse tipo de ação: a Av. Bezerra de Menezes.

Chegamos, todos muito acuados (rs. É engraçado a forma como ainda parecemos ter medo, mesmo depois de um ano de grupo. É compreensível porque tudo é novo pra nós). Pulei da Kombi e fui conversar com um rapaz de cabelo longo, com dreads. Contou sua história: como veio parar aqui em Fortaleza, os crimes que cometeu pela Bahia, a saudade dos 6 filhos.
Contou da tia e do irmão que moram aqui em Fortaleza, mas os quais não tem coragem de procurar.
Realidade forte e perversa a dele. Agradeceu pela nossa visita, pela sopa, o pão e as roupas.

Foi ainda na Bezerra que conheci o "Betão". Um morador de rua que tem casa. [Como assim?]
Isso mesmo. Ele tem casa.
Mas "não abandono o pessoal aqui não. São família". Toda noite está ao lado dos companheiros.

Da Avenida Bezerra de Menezes fomos para o Centro da Cidade, onde costumeiramente distribuímos a sopa. Reencontramos um rapaz que, da outra vez em que fomos, ficou com uma blusa muito apertada (Prefiro não citar o nome dele).
Fizemos alguns amigos, que contaram um pouco da sua história.

Alguns dos membros do Amigos Sol conversam com pessoas em situações de rua


Bem, essa ação realmente mexeu comigo. Fiquei visivelmente emocionado, mas pra disfarçar passei parte da ação do outro lado da Kombi, enquanto o resto da galera distribuía a sopa. Não tem como ficar insensível às misérias humanas.
Por fim, fomos próximo ao Marina Park e dessa vez adentramos uma rua mais perigosa, onde geralmente alguns irmãos em situação de rua vão para se drogar. E assim os encontramos, mas ocorreu tudo bem.

A ação foi enriquecedora, como de costume.
Espero que possamos  fazer muito mais por todos eles. Chegar até o coração. Ir além da sopa e do pão.

Por Jefferson Privino

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